Episódio 29 – Tudo na vida tem um motivo

Tudo na vida tem um motivo. Mas quem saberia dizer qual o motivo para cada coisa na vida? O sofrimento é necessário? Por que temos que passar por momentos difíceis em nossas vidas? Não seria mais simples se todos se abrissem uns aos outros, esquecendo a cobiça e o poder, e formando uma enorme família mundial, universal? Estas indagações giravam na mente de Vito. Ele começava a admitir que tinha sido um erro abandonar a trattoria em São Paulo e viajar com Bianca a Palermo, sua cidade natal, na Itália.

Nos pensamentos de Vito, estava se formando uma conclusão: a de que na magia dos momentos, o lugar é mero cenário. Carlo tinha se casado com uma “mulher da vida”, como ele mesmo dizia. Embora tenha rido junto com seu velho amigo, Vito tinha pena de Carlo, porque ele tinha sido abandonado. A cidade através da qual Vito e Bianca corriam quando pequenos, não mais existia. Havia a casa. Havia Carlo. Havia a Vidente. E também havia Enrico. E o que mais? Apenas a saudade de São Paulo.

Vito pensava: “nunca devíamos ter saído de lá”. E se perguntava: “o que estamos fazendo aqui?”. Enquanto isso, aproximava-se da casa, para onde se dirigia a pé, ao lado de Carlo. Este, por sua vez, estava calado.

Quando chegaram à casa, passaram pelo portão e ouvia-se o som da água que Enrico estava jogando nas plantas do jardim, naquele início de noite. Enrico apenas acenou ao longe. Vito e Carlo entraram.

O silêncio reinava dentro da casa. Vito pensou em gritar o nome de Bianca, para saber onde ela estava, mas aquele silêncio era mais forte do que ele. Resolveu, por isso, levar Carlo até a pequena biblioteca que havia na casa, e pedir para que aguardasse, enquanto procurava Bianca.

Vito foi até o quarto. Ao entrar, viu que a porta do banheiro estava entreaberta e a luz estava acesa. Aproximou-se e viu Bianca, na cena mais comovente que havia presenciado desde há muito tempo. Bianca estava sentada, com as pernas cruzadas, na beirada da banheira, com os seus cabelos louros molhados, penteados para trás, vestindo seu roupão branco, exibindo seu liso pescoço rodeado por uma fina corrente de ouro. Vito notou que Bianca pintara as unhas das mãos e dos pés de um vermelho intenso, e no ar sentia-se o perfume que Bianca estava usando: Guerlain – Insolence. No entanto, Bianca chorava. Era um choro contido. Suas lágrimas escorriam pelas suas faces lisas.

Ela ainda não tinha percebido a presença de Vito. Ele, então, deu um passo a frente em direção a Bianca, e neste movimento ela o notou ali e, surpresa, levantou-se e se jogou, ainda chorando, nos braços dele. Então, ela disse:

Bianca – Não quero mais ficar aqui! Quero ir embora deste lugar!

Vito não podia acreditar no que ouvia. No início, ambos estavam felizes e aliviados por terem voltado a Palermo. Depois, Vito já não via sentido em estarem em Palermo novamente. E, agora, Bianca diz que deseja ir embora de Palermo. Vito só conseguia pensar em uma coisa: que tudo na vida tem um motivo, mas quem saberia dizer qual o motivo para cada coisa na vida?

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Continua no próximo episódio.

E, enquanto não vem o próximo episódio, por que não se deliciar com as chamadas “Cavaquinhas da Tia Odette“, cuja receita se encontra no blog “A minha cozinha“?

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