Episódio 23 – Quem é a vidente?

Bianca e Vito ficaram confusos – e até assustados – quando a vidente falou da caixinha misteriosa, que Bianca havia perdido (ou esquecido onde guardou), e também quando ela disse seus nomes. Como uma mulher do mercado poderia surgir do nada e, de repente, saber essas coisas? É o que Vito perguntou, novamente:

Vito – Como a senhora sabe nossos nomes? E como sabe da caixinha?

Vidente – Ha, ha, ha, ha, ha! Podem me acompanhar? Preciso sentar naquele banquinho, porque a minha idade já está avançada. Preciso me sentar. Importam-se? Sentem-se também. Aqui há outros banquinhos. Podem se sentar.

O casal sentiu algo familiar. Mesmo confusos, assustados e curiosos, sentiram um aconchego, uma sensação de confiança e segurança. Pareceu mesmo que os sons do mercado tinham diminuído e o ar já não parecia tão quente. A situação ficou ainda mais estranhamente confortável quando a vidente pegou uma jarra de barro e encheu três copos com um suco de limão, bem fraco e refrescante. Quando Vito e Bianca beberam do suco, descobriram o quanto estavam com sede. E a vidente observava satisfeita.

Bianca – Obrigada…

A vidente recomeçou a falar:

Vidente – Bianca… Vito… Estou tão feliz em vê-los. Em vê-los novamente! Eu sei que vocês não se lembram, mas muitas das comidas que vocês comeram foram feitas por mim. Quando vi você passando por aqui hoje, Bianca, reconheci-a na hora. Logo depois vi Vito. Fiquei maravilhada quando vi as alianças idênticas nos seus dedos. Vocês se casaram! Sempre foram tão unidos! Estou muito feliz por vocês!

Bianca – Não pode ser… você é a C…

Vidente – Não! Não diga meu nome… Sou quem você pensa que sou. Mas agora me chamo apenas “A Vidente”. Depois que me aposentei, resolvi dar espaço a outras de minhas qualidades, além das de cozinheira. Quando eu cozinhava para a família de seus vizinhos, eles não me deixavam prever coisas para as pessoas, embora as visitas sempre me procurassem na cozinha para que eu lesse suas sortes. Mas eu não podia, porque os donos da casa me proibiram disso. Eu não os desobedeceria.

Bianca – Mas, C… Digo, Vidente… Como…

Vidente – Eu sempre soube de muitas coisas. Agora posso dizê-las às pessoas que querem saber. Mas não digo tudo. Digo apenas o que as pessoas precisam saber.

Bianca – Estou tão feliz em vê-la!

Bianca abraçou a Vidente com muita força. Vito estava parado, maravilhado. Ele também se lembrava da Vidente, e estava muito feliz em vê-la.

Bianca – Vidente… e a caixinha? Como soube?

Vidente – Já disse que tenho certas qualidades. Não se preocupe, você vai achá-la em breve.

Bianca – Quando?

Vidente – Em breve…

A vidente fez uma pausa e depois continuou:

Vidente – Aonde vocês estavam indo?

Bianca – Estávamos à procura de nosso amigo Carlo.

Vidente – Ele não está em sua loja.

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Continua no próximo episódio.

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Episódio 22 – A vidente

Bianca segura a mão de Vito, em meio à multidão do mercado.

Bianca – Você ouviu o que esta mulher disse?

Foi então que Vito notou uma mulher idosa, vestida com panos finos e coloridos. Bianca não tirou os olhos dela. A mulher – que é uma vidente – também olha fixamente para Bianca.

Vito – O que ela disse?

Bianca – (para a vidente) Repita o que a senhora disse.

Vidente – Eu disse que você vai achar a sua caixinha em breve, Bianca.

O casal ficou assustado. Como ela sabia sobre a caixinha? E como sabia o nome de Bianca? Vito e Bianca ficaram confusos. Não sabiam se falavam alguma coisa ou se ficavam quietos. Talvez fosse melhor ir embora. Mas não conseguiram. Foi Vito quem resolveu dizer alguma coisa à vidente.

Vito – Como a senhora sabe o nome de Bianca?

Vidente – Sei também o seu, Vito.

Vito – Como?

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Continua no próximo episódio.

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Episódio 21 – Algo acontece no mercado

Hoje – o dia seguinte da ótima tarde de chegada do casal Vito e Bianca Testafredda a Palermo, sua cidade natal, ao sabor de um delicioso vinho e no calor de uma tarde ensolarada – eles saem em direção à Vucciria, que é um mercado muito movimentado, com forte influência árabe. Alguns amigos trabalham do casal trabalham ali, naquele lugar quente e barulhento. Não é um lugar muito do agrado de Bianca, que prefere a calmaria de um lago transparente do que o calor do movimento humano intenso daquele mercado. Vito não se importava muito, embora preferisse também o lago.

Eles estavam indo em uma loja em especial: a loja de panos bordados de Carlo, um amigo de infância do casal. Queriam ouvir as histórias de Carlo, porque ele sabia como contá-las. Carlo era sempre o protagonista de suas histórias, mas ninguém sabia exatamente se ele as tinha realmente vivido ou se as inventava. Alguns diziam ser impossível ele ter vivido certas histórias em lugares distantes, alegando que ele nunca saíra da Itália – e talvez nem mesmo da Sicília. Entretanto, mesmo estas pessoas ficavam em dúvida, ao ouvir suas histórias.

O casal chegou, enfim, ao mercado, já repleto de gente pela manhã. Tiveram que caminhar bastante, entre as pessoas, para chegarem na loja de Carlo. Estavam caminhando, Vito na frente segurando a mão de Bianca, logo atrás. Não era possível ir muito rápido, por causa da quantidade de gente e do pouco espaço para passar.

Depois de mais alguns minutos, Vito não consegue prosseguir, porque Bianca havia parado e o detinha, segurando sua mão. Vito se vira e vê Bianca parada, olhando para algo, sem se mover, mas segurando firmemente a mão de Vito. Ele não entende por que ela parou e não sabe para o que ela está olhando. Decide, então, perguntar:

Vito – O que foi, Bianca? Por que parou?

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Continua no próximo episódio.

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Episódio 20 – Uma tarde na cozinha da casa de Palermo

O casal Vito e Bianca acabam de chegar em sua casa, em Palermo. A casa está uma beleza, com os jardins à sua volta muito bem cuidados. Não é uma casa grande, mas é muito bonita. Muitos sicilianos que possuem casas maiores as trocariam por aquela pequena jóia.

Enrico já os esperava no portão da casa. Quando o viu, Vito correu para abraçá-lo. Enrico não é uma pessoa muito alta. Tem a pele queimada pelo sol da Sicília e possui um aspecto que lembra um pouco o povo árabe. Sempre usava o mesmo tipo de roupas: uma camisa social clara, com as mangas dobradas até os cotovelos, calças escuras e mocassins de couro de cabra. Não usava barba nem bigode, e seu cabelo curto era um misto de amarelo e branco.

Bianca também abraçou Enrico, que devia estar hoje com mais ou menos 50 anos. Ele levou o casal para dentro da casa. Os três foram direto para a cozinha, o lugar mais perfeito da casa, segundo Bianca.

A cozinha da casa de Palermo é o que há de mais atual, mas Bianca quis manter um aspecto rústico em algumas partes e, por isso, exigiu detalhes em madeira. No meio da cozinha há um grande balcão de mármore, madeira e aço, numa divisão especialmente criada para esta cozinha. O chão é de mármore e os eletrodomésticos são prateados, em sua maioria. Escondida ao lado da geladeira, há uma escada que desce para uma pequena adega. Enrico desceu a escada e subiu rapidamente com uma garrafa de vinho nas mãos. Vito ficou maravilhado.

Vito – Você anda lendo pensamentos, Enrico?

Enrico – Ha, ha, ha! Eu sabia que você não ia resistir! Apresento-lhes esta magnífica garrafa feita com a mais deliciosa cepa de Pinot Noir da Borgonha.

Bianca – Ha, ha, ha! Seu francês é rídiculo, Enrico!

EnricoPinot Nero, como queira. Ha, ha, ha! É claro que vamos beber este vinho sabendo que nenhum é melhor que os italianos.

Vito – Isso é verdade, embora muitos não queiram admitir!

Enrico – Verão como esta garrafa está no seu ápice.

De fato, aquela foi a melhor garrafa de vinho feito da cepa Pinot Nero que tinha bebido. Abriram outra, mas não estava tão boa.

Foi uma tarde como as que há muito tempo não viviam. Agora, Enrico já havia se retirado, e estavam Vito e Bianca juntos, abraçados, olhando a paisagem ensolarada, emoldurada pela pequena porta externa da cozinha. Ficaram assim por muito tempo. No dia seguinte, iriam até a Vucciria.

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Continua no próximo episódio.

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Episódio 19 – A caixinha misteriosa desapareceu

Vito e Bianca agora se preparavam para ir rumo a Palermo, capital da Sicília, na Itália. Não tinham a exata previsão do dia em que partiriam. Poderia ser hoje, ou amanhã. Ou em alguns dias.

O casal estava muito entusiasmado. Tudo estava resolvido. Mas, ocorreu a Bianca um pensamento. Vito percebeu a preocupação de Bianca e perguntou:

Vito – Aconteceu alguma coisa?

Bianca – Lembrei, agora, da caixinha que a Vera Gonçalves me deu. Você sabe onde está?

Vito – Não. Não lembra onde a guardou?

Bianca – Tinha deixado em cima daquela mesa de vidro.

Vito – Pergunte à Joana.

Bianca foi até o quarto de Joana, que vivia no apartamento, junto com o casal.

Bianca – Com licença, Joana.

Joana – Sim, senhora?

Bianca – Você se lembra de uma caixinha que eu tinha nas mãos, num outro dia? Não lembro onde a coloquei.

Joana – Quer que eu ajude a procurar?

Bianca – Sim, por favor.

Vito, Bianca e Joana procuraram a caixinha no apartamento todo. Devem ter ficado procurando durante algumas horas. Não encontraram. A caixinha tinha desaparecido.

Bianca – O que será que a caixinha continha?

Vito – Não sei.

Depois disso, eles se esqueceram da caixinha misteriosa que Vera Gonçalves, a crítica de cozinha, tinha dado a Bianca. O casal estava muito ansioso para ir a Palermo. E foram para lá, no dia seguinte. Foram quase sem bagagem, pois não era uma viagem de turismo e tinham uma casa em Palermo, sempre muito bem cuidada por Enrico. Joana permaneceria no apartamento, deixando tudo sempre em ordem.

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Continua no próximo episódio.

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