Episódio 10 – Stanza Cigar

Bianca e Vera estão na Stanza Cigar.

A Stanza Cigar é uma ampla sala que fica no interior da Trattoria Testafredda, possuindo portas de vidro e, dentro, uma decoração onde se utliza madeira escura, dando a impressão de ser uma biblioteca. Há várias estantes de vidro, iluminadas, contendo os mais diversos tipos de bebidas, especialmente licores. É uma sala onde os clientes podem fumar charutos cubanos, mas há charutos de outras partes do mundo também. Ao contrário do que muitos possam pensar, a existência desta sala na Trattoria é muito apreciada pelos clientes e dá um toque especial ao lugar.

A Stanza Cigar possui sofás e poltronas muito confortáveis, bem como mesas de madeira e vidro. Os clientes se sentem muito à vontade na sala, onde podem conversar entre amigos. É comum que na sala surja algum assunto sobre o qual todos os presentes passam a falar, mesmo que não se conheçam. Já ocorreu muitas vezes de pessoas se conhecerem na Stanza Cigar e ficarem amigos. A sala é um ponto de encontro e um ótimo ambiente social.

Bianca e Vera estavam sentadas em grandes poltronas, frente a frente. E o casal que acompanhava Vera sentou-se em um sofá que estava ali perto, de modo que pudessem participar da conversa, se lhes fosse solicitado.

Vera – Parabéns pela Trattoria, Bianca.

Bianca – Obrigada.

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Amanhã, a continuação desta conversa.

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Episódio 9 – Do poscênio à ribalta

Todo grande artista conhece muito bem os bastidores dos espetáculos dos quais participa. É lá que se concentra para as grandes apresentações. Assim ocorreu com Bianca, nesta noite agitada. Ela tinha se sentido frágil diante da realidade. Mas, o que era esta realidade? O palco era propriedade sua, o elenco principal era inteiramente integrado com ela. Os objetos de cena estavam arranjado como queria e o público não parava de apaludir. Era hora de estrelar.

Bianca dirigiu-se firme para a mesa onde estava sentada Vera Gonçalves. Ao lado da mesa estava Vito que, percebendo a aproximação de Bianca, dirigiu-se a ela, parou-a um instante antes que chegasse à mesa 14, e disse em seu ouvido, em voz baixa:

Vito – Ainda bem que você apareceu. Não agüento mais essa bruxa!

E Vito se retirou em direção à cozinha. Bianca assimilou as palavras com um estremecimento de intensa confiança interior. Vito precisava dela. E ela agora se sentia necessária, como é, de fato. Foi até a mesa 14 com mais firmeza ainda.

Bianca – Dona Vera Gonçalves, Bianca Testafredda, proprietária do estabelecimento. Espero que a senhora tenha gostado de nossos pratos. Tenha certeza de que todos são feitos com a mais pura afeição pela comida, com respeito ao cliente e com controle rigoroso da qualidade dos ingredientes.

Vera Gonçalves – Estou vendo…

Bianca – Quero convidá-la a tomar um cálice do tradicional licor Strega em nossa Stanza Cigar. Notei que a senhora fuma e certamente não se incomodará com a fumaça. Seus amigos também estão convidados.

Vera Gonçalves – Seria um prazer.

Bianca – Perfeito! Acompanhem-me.

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Amanhã, Bianca e Vera Gonçalves conversam na Stanza Cigar.

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Episódio 8 – A reflexão na adega

Depois de ouvir aquelas palavras de Cláudia, Bianca desliga o telefone e passa a refeltir. E inicia o seguinte pensamento, ainda sentada num canto da adega:

Bianca (pensando) –  Nuvens, estrelas… Onde estou? Não estou em nenhum lugar, se não no chão da minha adega, que fica no subsolo da minha Trattoria. Vivi ótimos momentos até agora e não temia o futuro. Vim para o Brasil com muito ânimo e não sinto saudades da Itália. Por quê? Porque quem eu amo está aqui, bem perto. Na Itália há muito a quem amo, mas não me sinto mal por estarem longe. Vou muito à Itália. Minha vida tem sido isto: trabalhar, amar Vito e viajar para a Itália para escolher vinhos. Nunca senti que algo faltasse, até que algum dia olhei no espelho e não gostei do que vi. Estou com medo de envelhecer? Mas não é o que acontece naturalmente? Estou com medo de perder alguma coisa? E por quê? Os pratos que crio são perfeitos, segundo a opinião dos clientes, que pagam a conta com gosto. O que mando na cozinha é obedecido e as pessoas se calam quando abro a boca. Todos elogiam Vito, que é indiscutivelmente um ótimo esposo e sempre foi um estupendo amigo. Tenho tudo o que quero, e não costumo querer muito. Gosto do que faço e sou bem recompensada por isso. Então, não há nada de errado e não há razão para que eu me desestruture desta forma. Bianca, enxugue as lágrimas, respire fundo e levante-se. Aproprie-se do que é seu, imediatamente!

E Bianca se levanta. Ao subir a escada da adega, encontra Zio Pepe desesperado:

Zio Pepe – Ah! Ainda bem que você subiu! Está tudo bem? O que houve lá embaixo? Bom, acredito que você tenha ido lá para fazer alguma coisa particular, então não deixei ninguém descer. Mas precisamos de alguns vinhos, que foram pedidos nas mesas. Está tudo bem?

Bianca – Zio Pepe, chame o Zio Gino e peça para que sirva os vinhos pedidos. Corte a torta de nozes em pedaços pequenos e mande dispor em pratinhos, com creme de leite e figos em calda cortados ao meio. Deixe-me ver as mesas quem pediu vinho agora… Bem! Mesas 20, 46, 71 e 72: estas terão a sobremesa por conta da casa. Avise-me quando terminarem os pratos principais. E a tal de Vera Gonçalves, ainda está na Trattoria?

Zio Pepe – Sim.

Bianca – Ótimo.

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Amanhã continuaremos.

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Episódio 7 – Palavras amigas

Bianca, ao telefone com Cláudia, num canto da adega da Trattoria, diz o que está sentindo:

Bianca – Sinto que não posso mais. Sinto que nada tem valor, e que minha aparência já não agrada. Que nada mais é sólido, nem o chão, nem as paredes, nem a taça de vinho. Tudo parece gás. Um gás rosa, intocável mas quase perceptível. Não me sinto mal, para ser exata. Acho que estou preocupada por não sentir realmente alguma coisa. Mas quando me olho no espelho, ou olho para Vito, então sinto que o gás se densifica, e que tudo pode evaporar de verdade. Palavras são gás, sorrisos são gás… Tudo é gás. Um gás rosa, intocável mas quase perceptível… Tudo é gás… Tudo é…

E Bianca silenciou-se em meio a lágrimas. Cláudia aguardou, sem dizer uma palavra, até que Bianca se recompusesse.

Bianca – Você está aí?

Cláudia – Olha para cima e diga o que vê.

Bianca – O teto.

Cláudia – Feche os olhos. Além do teto há o céu. Lá há nuvens e estrelas. Consegue visualizá-las?

Bianca – Sim…

Cláudia – O vento sopra as nuvens e estas tomam diversas formas. Quem não olhar para o céu, perderá o espetáculo, porque um novo vento soprará e as imagens serão dissipadas. As estrelas que vemos, a sua maioria, são somente as luzes de estrelas que já se foram. Mas apreciamos a sua beleza, e sonhamos com elas. Estrelas cadentes desaparecem, mas os pedidos feitos dão origem a novas coisas, novas realizações. As nuvens e as estrelas inspiram o ser humano desde muitos milênios. E, no entanto, são simples matérias feitas ou cheias de gás. Você está sonhando, Bianca. E está deixando de viver o presente.

Depois de uma pausa, Claúdia disse:

Cláudia: Agora, desligarei o telefone. Reflita e se recomponha.

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Amanhã, a reflexão de Bianca.

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Episódio 6 – Conversando na adega

Bianca desceu, infeliz, à adega. Sentou-se no chão, num canto mais reservado. Pegou seu telefone celular e ligou para Cláudia, uma de suas melhores amigas. Já passava das 23h.

O telefone estava chamando. Lá em cima, Zio Pepe notou que Bianca tinha se refugiado e providenciou para que não fosse importunada.

Cláudia atende.

Claúdia – Bi, algum problema?

Bianca – Ah, Cláudia… não quero te incomodar…

Claúdia – Você nunca me incomoda. Desabafe. Para você ligar a essa hora, em seu horário de trabalho, só pode estar com algum problema. Estou aqui para ouvi-la.

Bianca – Obrigada… não sei como agradecê-la por ser tão…

Claúdia – Desabafe, minha amiga. O que está acontecendo?

Bianca – É Vito… ou melhor… sou eu… Ah! Não sei mais nada!

Claúdia – O que houve?

Bianca – Você conhece alguma Vera Gonçalves?

Claúdia – Não.

Bianca – É uma crítica de cozinha. Ela está na Trattoria neste momento. E Vito está lá, todo derretido, dando a maior atenção. Parece um idiota.

Claúdia – Não acredito nisto. Vito não faria uma coisa destas consigo mesmo.

Bianca – Aí é que está! Eu sei disso! Então acho que o problema sou eu!

Claúdia – De fato… o problema deve ser você.

Bianca – É o que eu disse.

Claúdia – Tudo bem… vamos fazer assim… acalme-se… diga-me o que está sentindo…

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Amanhã continuaremos.

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Episódio 5 – Fugindo para a adega

Bianca não estava gostando do que via. Mas ela estava em conflito. Sabia que Vito apenas estava fazendo o seu trabalho. Não sabia por que estava com tantos ciúmes dele. Imanginou que poderia ter sido por causa da estranha e exagerada atenção que ele havia dado ao fato de que ela viria à Trattoria.

Bianca precisava de aconselhamento. Resolveu descer até a adega e ligar para uma de suas grandes amigas.

Enquanto isso, Vito continuou a dar atenção a Vera Gonçalves. Neste momento, depois de ter saboreado a sobremesa, Vera estava na Stanza Cigar, fumando um charuto cubano. Pode parecer uma cena estranha – charutos cubanos na Trattoria. Mas os clientes adoravam. E aquilo dava um ar especial à Trattoria.

Vito sabia que Bianca não estava muito feliz com toda aquela atenção. Zio Gino e Zio Pepe também o sabiam. Mas aquilo tinha uma razão de ser, e Bianca logo saberá.

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Episódio 4 – À mesa com o cliente


Photo originally uploaded by brian_l at Flickr.

É início da noite. Alguns raios de sol ainda iluminam a rua em frente à Trattoria Testafredda. Tem sido um dia agradável, casa cheia durante o chá da tarde. Bianca acabou se acalmando. Ela sabia que não poderia deixar-se vencer pela desconfiança, ainda mais quando se tratava de Vito, a quem ama e por que é amada.

Bianca se distraiu durante a tarde, pois alguns amigos vieram à Trattoria, e houve muita conversa, muita descontração. Por insistência dos amigos, Bianca às vezes senta-se à mesa junto com eles, enquanto concilia a conversa com seus afazeres (o que ela faz com facilidade).

O sol desceu. E foram chegando os clientes, fazendo com que a cozinha da Trattoria começasse mais uma costumeira noite de movimento contínuo, para bem servir às pessoas.

Zio Pepe vem lá de fora e informa a Bianca que Vera Gonçalves tinha acabado de chegar. E Vito já estava na calçada para fazê-la entrar. Uma das centenas de coisas boas da Trattoria Testafredda é exatamente isso: os donos quase sempre estão ali para receber os clientes, e cada cliente se sente um amigo da casa (e geralmente o é).

Vera Gonçalvez entra, seguindo Vito, e acompanhada de mais uma mulher e dois homens. Vera devia ter uns 45 anos, mas nunca revelava a sua idade para quem perguntasse, o que, segundo a própria Vera, é uma bobagem.

Vera sentou-se à mesa 14. Na verdade, as mesas não eram numeradas, mas com o passar do tempo, todos que trabalham na Trattoria acabaram atribuindo números às mesas, e os sabem de cabeça.

Bianca só observava.

Vera pediu Tagliatelle ai frutti di mare, além de aceitar outros oferecimentos de Vito. Por isso, foram servidos também: torradas ao alho; beringelas, abobrinhas e pimentões curtidos e em tiras; pães; a famosa manteiga com ervas feita na Trattoria; Insalata Testafredda Speciale. Os que estavam acompanhando Vera também pediram o mesmo prato. Provavelmente iriam discutir a qualidade do Tagliatelle mais tarde.

Mas, em um momento, Vera chamou por Vito e pediu que ele se sentasse um pouco à mesa. E Bianca, vendo isso, começou a ficar nervosa novamente. Quem era ela para ousar fazer um pedido daqueles, pensou. É claro que estava com ciúmes, porque sempre foi normal na Trattoria ela ou Vito (ou ambos) sentarem um pouco com os clientes, ainda mais quando isto era solicitado.

Mas Bianca começou a se descontrolar. Especialmente quando Vito, de fato, sentou-se à mesa 14. Bianca não suportava aquilo.

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Ah, Bianca. Controle-se! Amanhã continuaremos com a visita de Vera Gonçalves à Trattoria.

Conheça a receita da Insalata Testafredda Speciale, que acabo de inventar.

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